E se voltássemos ao caos do Porque Sim?

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 E se voltássemos ao caos do Porque Sim?

Quando a minha filha nasceu a minha realidade mudou. As perguntas, as dúvidas, a incerteza do que poderia vir a ser, as possibilidades que se abririam criaram um novo chão que comecei a pisar. A magia da presença e o toque daquele ser inocente e feliz que me sorria e convidava a uma outra perceção da vida … enfim, toda esta nova estimulação incitou-me a abraçar uma outra abertura de experiências. Foi como que um tsunami de emoções e pensamentos que invadiram a minha realidade, transportando-me para um outro universo, até, então desconhecido.

À medida que ela foi crescendo foi questionando tudo o que via de forma intensa e contínua. Tantos porquês a serem solicitados, tantas respostas que eu nem sabia como dar, tantas questões que eu nunca tinha levantado … e aquele pequeno grande ser continuava a entusiasmar-se com a vida das formigas, do Sol, das cadeiras, das flores, dos comboios, dos carros, etc, etc. Tudo para ela era uma descoberta!

A minha mente “adulta” ficava perplexa com as simples questões que ela punha, com os seus 3 anos de idade… como o seu entusiasmo de conhecer a realidade de cada coisa, para com ela interagir, deixava-me sem chão, tentando olhar a vida pelos seus jovens olhos, desafiando-me a acompanhá-la na construção do seu mundo interno e experiencial. Que aventura!

Depois de muitos e muitos porquês a que fui respondendo, um certo dia, na incapacidade de encontrar mais respostas que não conduzissem a novos porquês, ocorreu-me uma ideia brilhante: Porque Sim!

Para minha surpresa esta resposta tornou-se a resposta mágica pela qual ela parecia ter esperado, até àquele momento. No momento em que eu lhe disse Porque Sim, ela olhou para mim, sorriu e disse: Ah! Pois é!

Apesar de esta experiência me ter marcado, só mais tarde compreendi e senti a verdadeira dádiva que eu tinha recebido dela. Durante alguns anos eu pensava nesta resposta e ficava perplexa. A minha mente “racional” não percebia o quão poderosa era esta mensagem.

Alguns anos passaram e nunca esqueci este grande ponto de interrogação que esperava uma resolução dentro de mim. Fui percebendo o quanto a minha realidade era desenhada pelos porquês do mundo. Um certo dia resolvi começar a responder-me da mesma maneira: porque sim. Todas as questões existenciais para as quais eu procurava um porquê inteligente e sábio, apenas conseguiram construir uma gaiola dourada e enfeitada de “Sábios Saberes” que se emaranhavam em complexas redes de justificações, associações e significados e tornavam a minha vida mais complicada de viver e dificultavam o encontro com o meu Ser, na sua Verdade e Saber.

Porque Sim é a resposta mais sábia e a mais difícil de aceitar. Para a minha filha, naquela idade, foi o ponto de magia que lhe devolveu o direito de ela continuar a sonhar com possibilidades para além das respostas que eu lhe costumava oferecer. Abriu-lhe uma porta de aventura e encanto. Hoje, percebo isso, mas a sua dádiva ficou comigo e, graças a ela, o poder do Porque Sim, por mais simples que seja e o que o mundo menos aceita, tornou-se um pilar a partir do qual fui reconstruindo a minha realidade.

Os ditames do mundo racional abominam esta minha posição. Porquê? Porque sim. Todos os porquês que eu poderia acrescentar para o justificar, apenas serviriam para me confinar a uma intrincada malha de limitações e dogmas, sem utilidade alguma. No Porque Sim posso expandir a minha consciência sobre  infinitas possibilidades e expandir o meu mundo de perceção.

Como seria a sua vida se a recheasse de Porque Sims? O espaço que se abre quando inicia uma pergunta por um porquê, pode ser perdido ou encontrado. O seu mundo pode continuar a ser o que tem sido, se escutar o que sempre escutou das vozes do mundo. Porém, se escolher dar-se essa dádiva, nesse espaço, nesse silencio, nessa brandura do Ser, após o Porque Sim ter entrado, prepare-se para iniciar uma viagem de verdadeira magia, aquela que vive em si.

O Porque Sim abre portas, rompe limitações, transcende a linguagem envelhecida do mundo, acorda possibilidades, incita a aventura, abraça-nos numa outra dimensão da nossa existência e a vida começa a pulsar no âmago do nosso Ser.

A coragem de enfrentar os fantasmas que nos mantêm dentro da complexa mentalidade humana, transforma-se na alavanca para recriar uma vida que se afirma por si mesma, sem dependências, limitações, medos e culpas que o mundo fez questão de implantar em nós, tornando-nos robots da sua alucinação.

É uma ESCOLHA que fazemos, com ousadia, rebeldia, inconformismo e determinação.

Experimente! Só poderá saber, se experienciar. Construa a sua realidade baseada nas suas ESCOLHAS verdadeiras e conscientes. 99% dos pensamentos que passam por si não são seus. A maioria das emoções que vivem à sua custa e do seu corpo são recebidas do mundo à volta e feitas suas, sem ter consciência disso. A grande maioria das escolhas que faz são condicionadas pelas opiniões e ideias que estão implantadas em si.

Existe um mundo incrível dentro de si por descobrir. Ao despir-se de tudo o que não é seu, tem a oportunidade de encontrar aquele/a que está à sua espera para viver em si.

Boa Viagem!

 

O Abraço acolhedor do Ser

Estamos a atravessar uma época na história da humanidade que convida a maioria dos seres humanos a refletir sobre a maneira como vivemos e de que forma nos serve a mentalidade na qual nos apoiamos para construirmos a nossa realidade pessoal. Estamos a viver em remoinhos de confusão, sem certezas, sem chão, sem possibilidade de prevermos ou controlarmos a maioria dos nossos desejos ou expectativas. Teremos, ainda, duvidas relativamente a isso?

As receitas rápidas abundam, os gurus anunciam-se por todo o lado, as oportunidades de distração são avassaladoras, o consumismo tornou-se uma droga, sem darmos por isso, a insatisfação e o desejo de mais e diferente tornou-se insaciável … a pressa, a corrida atrás de algo mais insólito, o hipnotismo das redes sociais, a alienação de nós mesmos e muito mais … vai discretamente enredando milhões de pessoas num tornado gigantesco que embebeda e ilude, na sua poderosa espiral de inconsciência e alucinação.

Algumas vozes erguem-se tentando trazer de volta os antigos padrões de pensamento e comportamento… numa tentativa desesperada de recuperar o passado no seu melhor e regar o presente com as gotas da sua verdade. Na esperança de se poder reconstruir um mundo melhor, regressando ao conhecido e vivido, as empresas, as igrejas, as famílias, as escolas, as muitas instituições do momento, tentam reinventar possibilidades, mudando as antigas peças de lugar e re-arranjando o puzzle das prioridades, propósitos, métodos, valores, em combinações novas, convencidas de que o passado é tudo o que lhes é dado usar para recriar uma nova forma de viver…

Estamos a mergulhar num caos de possibilidades! O mundo organizado e previsível que conhecemos teve os seus dias e está de partida. Aceitar esse facto pode facilitar a nossa contribuição para o que se segue. Não existem certezas, nem verdades, pois a criação de algo, verdadeiramente novo, não se alicerça sobre o que já foi, mas sim no caos do nada criativo e consciente.

O conforto e a segurança que o conhecido nos traz promete-nos uma experiência mais calma e previsível, E isso tem, sem dúvida, os seus encantos! Porém, até quando essa tranquilidade nos preenche a sede de beber do novo e a ânsia de sentir a aventura do desconhecido? A humanidade, essa figura humana que encarnámos durante milénios, sem conta … está a viver a sua adolescência e nada a vai parar! É o ímpeto que fervilha nas suas veias de dizer “não!” ao proibido, fugindo pela janela quando e sempre que pode, para viver a aventura de sentir o gosto da proibição.

Tal como qualquer adolescente, apesar da rebeldia e contestação, procura e deseja, lá no seu íntimo, uma plataforma segura, sobre a qual possa brincar, sem se afundar ou perder para sempre. Uma plataforma invisível, energéticamente saudável e flexível debaixo dos nossos pés, para nos apoiar, sem julgamento, mas com o doce aconchego do que não pode nem sabe julgar, mas simplesmente criar e dar vida  – a consciência.

No caos que levanta a poeira do passado e a dissolve no nada do não tempo, muitos dos seres humanos que sentem o chamado a si mesmos, deixando de lado a ilusão do passado, mergulham numa viagem que poucos ousaram, até aqui, Uma aventura que os desliga da mentalidade comum e lhes oferece um universo desconhecido de verdadeira criação. São esses e essas que estão já a tecer a nova matriz de consciência que servirá de plataforma aos muitos que virão, contribuindo para a expansão inédita da vida neste maravilhoso Planeta.

A esses e a essas, eu estendo a minha Gratidão e Alegria. Dou-lhes a mão enquanto atravessam o deserto da mentalidade humana atual, sentindo a secura da sua humanidade, sem se deixarem saciar pelas águas da inconsciência. São heróis e heroínas que vivem, secretamente, no silêncio da sua redescoberta pessoal. Graças a eles e a elas o nosso planeta continua a ser a nossa “casa” experiencial.

Com cada consciência que acorda e se expande, a plataforma que sustenta e apoiará muitos e muitos, num futuro próximo, será a dádiva, sem preço ou definição que esses seres oferecem para a criação de uma Nova Terra! Uma contribuição cujo valor jamais poderá ser calculado, pois com eles, o caos que agora vivemos, deixará de ser o desastre que parece ser, para se poder tornar o Abraço Acolhedor do Ser na nossa amada Terra,

É com eles e elas que a humanidade receberá a Luz e a Alegria da Consciência Criadora que oferecerá a este Planeta uma vida jamais vivida e experienciada, desde o início dos tempos …

A todos/as aqueles/as que sabem que falo deles/as, deixo a lembrança de que cada momento da sua viagem, nas quedas e nos avanços, nas dores e nas alegrias, no tumulto e na paz, há uma Alegria e um beijo de Gratidão que a Vida lhes estende. São os exploradores da verdadeira Consciência que vão aceitando o não julgamento para si mesmos, sarando as dores e as feridas deixadas pela mentalidade dualista. A Liberdade não se mede, mas a cada ESCOLHA Consciente que fazemos, o Universo expande e a Terra recebe a dádiva! Cada passo que já demos, derrama a Luz pela humanidade e muitas outras pessoas estarão mais perto de si mesmas.

Haverá maior propósito do que este? No silêncio social, no recato das sua vidas, nas noites por dormir, nas angustias da prisão interior, ignorados/as por tantos, existem milhares de “larvas” a germinar e aguardando o momento da Liberdade que os/as tornará nas Borboletas da Consciência na Terra.

A cada instante, à volta do mundo, a plataforma de Consciência continua a ser tecida com a Luz  irradiada pela Presença de cada uma desses seres neste Planeta.

Obrigada!

As Perguntas do Medo

__3606669Quando eu era criança perguntava o porquê das coisas e achava que os adultos sabiam “as respostas” certas. À medida que fui crescendo, percebi que as respostas que eu recebia me explicavam como o sofrimento, a limitação, a impossibilidade, a doença e todas as dificuldades que existiam eram a “formula de criação divina” deste mundo.

241-e1534949144489.jpgQuem não sofria, quem não lutava, quem não adoecia, quem não pagasse caro qualquer benefício obtido, não estava dentro do que se considerava normal e abençoado por Deus. Nada disto me fazia sentido, mas, como poderia eu estar certa e os outros  todos errados?

As perguntas que fui fazendo conduziam-me a um buraco sem saída e algo em mim me dizia que não podia ser só assim…

Tornei-me inconformada, não querendo aceitar o que via à minha volta, como o que “tinha que ser”. Era a vontade de Deus! Fui-me apercebendo que as perguntas que as crianças começam por fazer quando pequeninas são a forma como elas aprendem o propósito e o significado para o que as rodeiam. Elas não sabem como avaliar seja o que for, a não ser pelos olhos dos pais (ou educadores).

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Elas aprendem que é feio perguntar, porque incomoda os adultos. Aprendem o que podem perguntar e como devem esperar receber respostas, de forma a não se tornarem diferentes do seu núcleo familiar, escolar, social, religioso, etc. Assim se vão perpetuando exércitos de seguidores infelizes, mas fiéis aos interesses coletivos.

Muitos anos depois, percebi que todas as perguntas que eu fazia que, realmente, podiam ser contributos para uma vida feliz e livre, não tinham respostas que me incentivavam a ver o mundo como um campo de possibilidades e escolhas criadoras.

As respostas eram fechadas de forma a desaguarem num poço sem saída,

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As melhores perguntas eram igualmente fechadas de modo a ativarem possibilidades únicas de respostas, tais como “sim”, ou “não” … “porque ….” quando tínhamos a sorte de receber uma justificação. Fui percebendo que a justificação era, igualmente, uma forma condicionada de desempoderamento total, por forma a prevenir que nunca sairíamos dos limites aceites.door-closed-w-little-boy

Ao longo do tempo, na minha busca por uma perspetivas que me fizesse mais sentido para a experiência humana, fui percebendo que uma das maneiras mais poderosas de criar realidades, consiste na estimulação do campo criador, através de perguntas abertas.

O que são perguntas abertas? São aquelas que não procuram uma resposta fechada, mas sim, suscitar a ampliação do campo de consciência, abrindo possibilidades criadoras que se oferecem a nós como seus criadores. Queremos perguntar que possibilidades existem, não qual a melhor possibilidade entre os caminhos conhecidos que já existem.

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As perguntas abertas, as verdadeiramente criadoras, não procuram escolher entre o que já existe, mas sim a criação de novas possibilidades, ainda não experienciadas, por quem explora a sua aventura criadora. São perguntas que só podem ser feitas quando estamos disponíveis para aceitar que a nossa realidade pessoal não depende da reafirmação das possibilidades aceites pelos outros, mas da nossa própria abertura para ir além, em desafio a todas as “probabilidades” contabilizadas pela matriz de aceitação do coletivo.

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Se queremos permanecer na realidade coletiva, somos livres para o fazer. Nada está certo ou errado. É simplesmente, uma experiência, Se queremos repetir a experiência coletiva, basta seguir os caminhos previstos. Se queremos criar uma realidade fora do que está aceite como provável ou possivel,  temos a total liberdade de explorar novas possibilidades que são tão reais e naturais, quanto as outras já existentes- Mas estas mudam a nossa vida e a mentalidade coletiva, para sempre.

Cada pergunta aberta, rasga o véu da limitação a que nos auto impomos e aceitamos, sem questionamento, o que o coletivo escolheu permitiu e receber, A realidade pessoal nada tem a ver com o que nos rodeia. Tem a ver com o que ESCOLHEMOS para nós, accionando o direito que nos assiste, como seres criadores, para CRIAR e tornar conhecido, o desconhecido.

images (4)A nova realidade não depende do que “parece” ser possível. Depende, única e exclusivamente da ESCOLHA que fazemos em ser diferentes, ousados, livres e audazes, sair fora da matriz habitual e exercermos a capacidade de CRIAR, a partir do nada e ainda não conhecido.

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Não podemos servir dois “deuses” ao mesmo tempo Repetir ou Criar. A ESCOLHA é nossa, sempre. Ninguém pode alterar uma ESCOLHA que fizemos, sem a nossa participação e permissão. Queremos ser iguais ou queremos ser, quem nascemos para SER!

Fazer perguntas abertas implica silenciar a mente e permitir entrar no espaço/silêncio da consciência, onde nos encontramos com quem realmente somos. Uns segundos de encontro com esse espaço, pode dar-nos uma riqueza de oportunidades e possibilidades jamais imaginadas.

PERMITIR ser diferente, se for o caso, é PERMITIR sermos quem somos e não mais um, na humanidade.

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A permissão abre o acesso ao RECEBER. Nada precisa de ser forçado. O que precisa ser aberto é o recebimento sem reservas, seja do que for. Quem tudo se permite receber, no seu espaço criador, sem ponto de vista ou julgamento, não tem como não receber a maior das oportunidades e experiências.

 

Perguntas Fechadas criam realidades fechadas e limitadas.

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Perguntas Abertas criam realidades expansivas –  realidades nunca vividas e em constante expansão

Teias de Aranha Hipnóticas

Cada conceito que aceitamos como a verdade, rouba-nos a liberdade e a sabedoria da aventura criadora de cada momento.

Nos enleios de cada conceito vivem os limites e a separação entre ti e o que é. Separas-te para teres a ilusão de que existes, num espaço e num tempo onde a realidade se define, para ti, naquele momento.

Sem consciência de ti, procuras num vazio onde os conceitos reinam criar uma realidade que te dê a sensação de existência.

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Além ou Aqui?

Na ilusão do tempo, dividido entre passado e futuro, pensamos que existe algum “lugar” no além deste momento, que nos espera para sermos ou vivermos os desejos.

Se o tempo for a ilusão de uma linha contínua que corre num só sentido, quantos dias, meses e anos terás de esperar para que o que já ocorreu se manifeste nessa ilusão?

E se esse “lugar” no futuro não existir nesse contínuo de tempo, mas, sim, Agora, num momento de permissão incondicional?

Sou livre de não ser livre

Serei livre sem saber?bird-cage-door-open-escape-photo-your-design-93980618 Serei escravo numa gaiola de porta aberta?

Duas perguntas que revolvem o silencio da noite, como que brincando na tela da minha mente, desafiando, confundindo, abalando o sentir do que eu penso ser o que é, Mas será? Que certezas tenho que me mantêm na gaiola, tornando-as pilares de verdades que não só existem para mim… mas para mais uma mão cheia de pessoas…

O que farei com os meus amigos, inimigos,  conhecidos ou desconhecidos e os demais se sair da gaiola que conheço? Estarei perdida de tudo e todos? Será essa a verdadeira Liberdade? Gosto de pensar que na gaiola sou livre porque ela me protege. Será? Dentro da gaiola eu sou a personagem que se tornou “eu”.  Como poderei viver sem esse “eu”?

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Que liberdade é essa? Serei feliz na liberdade que me condiciona e limita e dita o que posso ou não ser, fazer ou sentir… ? Mas sabe bem … porque sempre foi assim… não é mesmo? Liberdade dentro e fora da gaiola serão duas experiências opostas … ?

Estranho …! Que pergunta mais desafiadora! Pode a mesma palavra viver em mundos opostos e ter vida e significado completamente diferentes? Será que a linguagem dentro da gaiola só existe dentro dela? Ou existe uma linguagem que serve dois mundos de forma diferente e nunca percebemos isso? O que mudaria se isso fosse verdade?

eu-quero-ficar-em-minha-gaiola-90956506Como falaria com as pessoas, como julgaria o que se passa à minha volta, que experiência teria dentro e fora da gaiola? Será que a gaiola não passa de uma grelha de significados criados pela mente humana, apropriados para  nos dar uma experiência específica? Que interessante perspetiva!

Não, isso não deve ser assim … sempre achei que a verdade é a Verdade! Não posso imaginar um mundo todo condicionado a significados inventados! Não, seria um desastre! Uauh! Espero que tudo isto seja, um delírio, uma fantasia, criada na minha insónia, para me entreter… assim as horas vão passando, até o sono retornar …! Claro! Só pode ser! Ah! já sinto alívio! Por momentos levei esta possibilidade a sério!

105817205Mas as perguntas continuam … e o sono não chega …! Se o que eu penso não for o que acredito que seja, quantos pensamentos diferentes poderei ter sobre uma mesma coisa? Bom … muitos, talvez. Qual será o verdadeiro? Para quem? Do que depende para ser verdadeiro? Se um mesmo pensamento, uma mesma história for lida pela minha mente com novos significados para as palavras e conceitos que a constroem … como será?

Será que o sono nunca mais chega? Estou a ficar meio louca … é melhor deixar de pensar nisto … fecho os olhos e espero que o sono se anuncie … mas nada acontece! Bolas! As perguntas continuam … que teimosia! Não quero mais este filme a passar pela minha mente … que loucura!

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“E se … ” não se cala …! Continua a insinuar possibilidades que eu não quero ver… a inquietação aumenta. O que faço com esta insónia? Tomo um comprimido? Mas, uma outra pergunta torna-se mais consciente ” De que tens medo?” Eu?  Não tenho medo! E se o medo for o patrono da gaiola, da realidade onde estás aprisionada? Será que chamas outros nomes ao medo, pelo medo que tens dele? Assim salvaguardas a tua realidade e, voluntariamente, te entregas e desistes de ti, daquela que és, fora dessa gaiola …

Que pensamentos estranhos … de onde vêm? O silencio não respondeu … mas a dúvida ficou. O sono venceu-me, por fim.

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Acordei, o sol estava radiante, o mundo parecia igual, mas eu tinha a dúvida em mim. Ela acendeu uma fogueira cá dentro e nunca mais será a mesma coisa. “E se …” instalou-se e, a partir de então, inicia todas as minhas frases  e pensamentos. Os sentimentos, emoções e avaliações deixaram de ser preto ou branco. São mais bolas de sabão  ou, talvez, balões,,, e não grades da gaiola.

O que mais há para além disto?

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E Se a perspetiva de mim e do mundo nunca mais for livre para me manter em cativeiro de uma só mentalidade?

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